Como costurar minhas próprias roupas mudou minha percepção sobre moda

quinta-feira, setembro 17, 2015

Em tempos de crise, a gente começa a pensar seriamente sobre o que consumimos e de que forma gastamos nosso suadinho dinheiro, depois de ter lido esse texto no Modices (que recomendo profundamente você ler) e ter ido em uma palestra sobre varejo e moda semanas atrás parei pra pensar novamente sobre meus hábitos de consumo, e como minha relação e percepção com as roupas foram evoluindo com o tempo. 

Sempre gostei muito de comprar de brechós e comércios alternativos do estilo feirinhas de bairro, desde que morava lá no interior do Paraná. Na época, ia nesses lugares por encontrar peças diferentes com preços mínimos - onde eu morava não tinha nenhuma fast fashion que tivesse tendêncinhas do momento a um preço bacana. Meu eu estudante de ensino médio ficava muito feliz quando as pessoas me perguntavam aonde tinha comprado tal saia, ou blusa e eu respondia "paguei 5 reais num brechó". Ainda fico feliz em dar respostas assim, mas de um jeito diferente. 
Na época de colégio não tinha grana alguma e consumia desse jeito pra tentar me diferenciar das demais pessoas da cidade, que sempre se vestiam da mesma maneira, foi nessa época que comecei a ver moda como modo de expressão, e me apaixonei por ela.


 Agora eu respondo feliz que comprei uma saia de brechó por 20 reais - não mais 5 reais, porque obviamente a economia mudou, e também nosso jeito de consumir está diferente. Brechós não são mais aqueles lugares apertados e atolados de roupas, muitas vezes com cheirinhos desagradáveis (bom, em alguns casos ainda sim) agora eu respondo feliz porque comprando de comércios alternativos eu ajudo o pequeno empreendedor, eu reciclo e reutilizo roupas em ótimo estado com tecidos bons e acabamentos maravilhosos, eu ajudo o meio ambiente que não vai sofrer com todos os processos de criação de uma roupa ou sapato, porque eu consigo achar um produto original e só meu por um preço mega amigo

Quando fiz a cadeira de costura e modelagem na faculdade comecei novamente a ter uma nova percepção sobre as roupas que andava consumindo. Costurar minhas próprias roupas me fez ver o real valores delas, tanto na parte emocional, quanto ao preço. Ver  o quão trabalhoso e difícil (ao menos pra mim :p)  são todos os processinhos, as milhares etapas da costura, desde da modelagem, passando pelo corte da peça até se chegar a uma peça pronta, mudou muito a minha percepção sobre o barato e caro, mas principalmente me fez valorizar ainda mais marcas que trabalham com produção nacional. Porque sim, a escravidão na moda é uma realidade que a maioria ignora, e faz questão de achar não tem nada a ver com isso.
Se você não faz ideia do o que estou falando, recomendo que veja esse videozinho aqui.  E esse aqui pra entender um pouquinho melhor tudo isso. (eles são curtinhos, vale muito a pena ver!) Talvez com eles tu nem precise aprender a costurar pra mudar de opinião, ou talvez tu realmente queira começar a fazer suas próprias roupas, trust me, é um tipo de prazer diferente você responder um "fui eu que fiz". Vestir algo que você mesmo fez dá um orgulhinho que só.

Bom, depois de toda essa enrolação com histórias e opiniões pessoais, eu pergunto se você aí já parou pra pensar no jeito que consome? Ou como suas escolhas ficaram diferentes com o passar dos anos? Se em tempos de crise como esse, alguma coisinha mudou? Afinal de contas, se a gente é o que come, não somos também o que consumimos e dentro desse parênteses, o que vestimos?

  >> Repensar, recriar, reciclar, esse é o caminho ♥ <<

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